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Esterilização de materiais odontológicos: tire suas principais dúvidas

Angelus | 16 de julho de 2021

A esterilização de materiais odontológicos é o método pelo qual todos os microrganismos são destruídos, inclusive os esporos de bactérias, que são formas de resistência. Vale ressaltar que a morte microbiana é definida como a incapacidade de reprodução. Ou seja, microrganismos presentes no material estéril não são capazes de se reproduzir e causar infecções.

Desse modo, apresentaremos a você mais informações a respeito do assunto, segundo as orientações do Dr. Ricardo Sergio Couto de Almeida, professor adjunto do Departamento de Microbiologia da Universidade Estadual de Londrina, onde ministra aulas de biossegurança, microbiologia e microbiologia bucal para o curso de odontologia. 

Entenda a importância da esterilização dos materiais odontológicos

Primeiramente, é preciso compreender que algumas bactérias podem apresentar duas formas de desenvolvimento. Assim, chama-se de forma vegetativa a bactéria que se reproduz ativamente, dobrando sua quantidade a cada determinado espaço de tempo. Ao contrário do que vem inicialmente em nossa mente, na forma vegetativa a bactéria está em plena função metabólica.

Em contraste, em sua forma de resistência, conhecida como endósporo, não há reprodução e muito menos atividade metabólica. O endósporo é feito para resistir às condições ambientais mais severas. Uma vez que esse esporo bacteriano encontra condições favoráveis (disponibilidade nutricional), ele retorna a sua forma vegetativa e recomeça a multiplicação bacteriana.

Outra maneira interessante de persistir em um ambiente hostil é a formação de uma estrutura chamada de “biofilme microbiano”, se não fossem as presenças de endósporos e de biofilmes, bastaria ferver seu material odontológico na água por 15 minutos e todas as bactérias na forma vegetativa, fungos e vírus seriam eliminados. Entretanto, endósporos de bactérias patogênicas, como por exemplo Clostridium tetani e Clostridium botulinum, bem como biofilmes com dezenas de espécies de microrganismos, podem resistir a essas condições.

Por isso, a esterilização, bem como a verificação de sua eficiência, são tão crucias para o exercício de uma odontologia de qualidade e segura tanto para o profissional quanto para o paciente.

Saiba os processos de esterilização dos materiais e como eles ocorrem

A princípio, os instrumentos odontológicos precisam ser lavados, escovados para retirar qualquer resíduo e secos. Não adianta esterilizar sem antes limpar corretamente. A sujeira dificulta o processo de esterilização. A utilização de uma cuba de ultrassom melhora a qualidade a limpeza e, por isso, é recomendada pelo Dr. Ricardo.

Esterilização por estufa

“Anos atrás era utilizada a estufa para esterilização, embora já tenha ouvido falar de professores que ela não era indicada. Isso não é verdade. Esteriliza sim, mas você precisa usá-la a 180 graus por duas horas, visto que sua ação é por oxidação”, informa Dr. Ricardo.

Como não havia um controle automatizado do processo, muitos profissionais acabavam utilizando a estufa incorretamente. Por isso, a autoclave foi ganhando espaço e hoje a vigilância não permite mais a utilização de estufas para a esterilização de materiais odontológicos.

Esterilização por autoclave

O método de esterilização exigido pela vigilância atualmente é a autoclavagem. Sua esterilização acontece pelo vapor sob pressão quando as moléculas de água em alta temperatura colidem com moléculas orgânicas, como DNA, lipídios e proteínas. Esse processo é capaz de destruir até os esporos bacterianos mais resistentes quando submetidos a 121°C por 15 minutos.

Entretanto, os instrumentais devem estar embalados para esterilização, após a limpeza com água, sabão enzimático e secagem. Além disso, somente equipamentos termorresistentes podem passar por esse procedimento. Se você necessita esterilizar um material termossensível, a indicação do Dr. Ricardo seria uma esterilização química por óxido de etileno.

Esterilização química

O único método de esterilização química permitido na Odontologia é um processo de difusão de gás, o óxido de etileno (OE). Esse método é capaz de eliminar todos os microrganismos viáveis, causando a esterilização dos materiais e produtos. A esterilização ocorre quando uma molécula de gás de OE reage e destrói o DNA microbiano.

A efetividade da esterilização por OE depende de sua difusão através da embalagem e do material. Todos os produtos devem ser colocados em embalagens (papel grau cirúrgico) que permitam a penetração do gás para que alcance todas as superfícies do material. Normalmente, o processo é realizado por uma empresa privada.

Descubra a relevância do armazenamento após esterilização

Se você colocar qualquer coisa dentro da autoclave e ela estiver funcionando corretamente, tudo ficará estéril, mesmo que não esteja embalado. Por isso que, para mantê-lo estéril, é preciso de papel adequado para ficar guardado no máximo um mês.

Dessa maneira, não se deve manuseá-lo, principalmente com instrumentos perfurocortantes, evitando que rasgue a embalagem. Diante disso, é necessário guardá-lo longe da luz, em local seco, sem empilhar um em cima do outro.

Também não pode reutilizar o papel grau cirúrgico, pois a mudança na estrutura do papel após a primeira esterilização não garante a penetração adequada do vapor de água e consequentemente a esterilização. 

Além disso, o indicador de classe 1 presente no papel (aquela seta que fica preta), que indica que o material foi processado, estará usado. Se você reutilizar o papel, como saberá se aquele material foi autoclavado?

Aprenda quais são os indicadores de esterilização

Os indicadores classe 1 servem para dizer que o material foi processado. Dessa forma, existem fitas com listras e outros desenhos que, depois de esterilizados, ficam pretos.

Entretanto, isso não certifica a qualidade da esterilização. Contudo, traz uma orientação para o cirurgião-dentista que os instrumentais já estão prontos para utilização.

Os indicadores classe 5 ou 6 detectam mudanças sutis de temperatura, tempo e qualidade do vapor, portanto, devem ser utilizados a cada ciclo.

O indicador biológico é o método mais indicado para se certificar do funcionamento correto da autoclave, pois possui endósporos (não patogênicos) bacterianos viáveis em seu interior. Devem ser utilizados pelos menos uma vez por semana.

Vale ressaltar que os resultados desses testes devem ser anotados em um caderno de monitorização da autoclave. Os indicadores classe 5 ou 6, e as etiquetas dos testes biológicos devem ser colados no caderno para possível verificação.

Confira a diferença da Vigilância Sanitária no Brasil perante esterilização

Na verdade, não existem diferenças porque as normas da Vigilância Sanitária ocorrem em âmbito Federal. Entretanto, as cobranças são realizadas pelos estados e municípios por meio de fiscais que visitam os consultórios odontológicos.

Com isso, as cobranças e exigências dependem de cada situação. Por exemplo, antes da pandemia, cobravam muito a autoclave. Entretanto, poderiam não questionar sobre manutenção do ar-condicionado, o que tem sido cobrado com mais frequência.

Isso acontece devido à Resolução n°9 da Anvisa (16 de janeiro de 2003), em que consta que o profissional precisa fazer a manutenção a cada 6 meses e essa deve ser comprovada em papel. Do contrário, poderá receber multa direto, sem nem passar pela advertência.

Conheça os EPIs a serem usados na esterilização dos materiais odontológicos 

Além da higienização dos instrumentais e esterilização deles, é necessário usar Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para garantir a segurança tanto do cirurgião-dentista quanto da assistente.

Sendo assim, veja quais são eles a seguir:

  • Jaleco, pois ajuda a proteger a roupa e evita a contaminação, logo deve ser impermeável para que não haja contato com a pele;
  • Gorro, que pode ser o mais fino, porque serve para não deixar cair cabelo nos materiais;
  • Máscara, para que não respire em cima dos instrumentais lavados;
  • Óculos, para não espirrar resíduo nos olhos enquanto faz a limpeza;
  • Luvas de procedimentos para não contaminar os materiais ao colocá-los no papel grau cirúrgico. 

Veja como retirar os EPIs para não haver contaminação 

Além da higienização dos instrumentais e esterilização deles, é necessário usar Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para garantir a segurança tanto do cirurgião-dentista quanto da assistente.

Sendo assim, veja quais são eles a seguir:

  1. Luvas;
  2. Viseira tipo face shield;
  3. Gorro descartável;
  4. Avental descartável.

Imediatamente após retirar as luvas, lave as mãos. Após retirar os outros EPIs citados acima, lave as mãos novamente. Os óculos de proteção e o respirador PFF2 devem ser retirados em outro ambiente. Não se esqueça que durante o atendimento odontológico foi gerado aerossol e você ainda precisa proteger olhos, boca e nariz.

Saia da sala e feche a porta, e depois retire os óculos. Dessa maneira, a mucosa ocular não entrará em contato com vírus ou outro agente. Em seguida, faça o mesmo com a máscara. Depois, lave os óculos, passe álcool 70% ou peróxido 4D e troque a máscara. 

No geral, não adianta nada desinfetar ou fazer a esterilização de materiais odontológicos se o processo não for realizado corretamente. Poderá restar resíduos orgânicos hidrofóbicos ou biofilmes, tornando a bactéria resistente à autoclavagem. 

Portanto, para ajudar nesse sentido, de acordo com Dr. Ricardo, “a Angelus tem se preocupado com o desenvolvimento científico, inclusive em criar produtos com excelência. Posso afirmar isso, pois sou um consumidor dos materiais da empresa”, conclui ele.

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